sábado, 27 de julho de 2013

Um grande futuro.

 Levanto o braço devagar tentando acertar o despertador, mas derrubo o copo que continha um pouco de água. Finalmente desliguei e abri o olho para ver se algo tinha mudado, porém continuava a mesma vida monótona e a mesma pilha de livros.  Às vezes não sinto vontade de continuar vivendo.










                                                                              E se eu tomasse vene..- sou interrompido com a minha mãe batendo na porta.
Kay, está na hora de se arrumar para ir ao colégio.
Já estou indo, mãeAinda não acredito que entrei no melhor colégio da cidade, ainda não estou acreditando.
- Posso passar ferro na farda enquanto você está no banho?
- Faça isso, por favor!- gritei
Quando saí do banheiro vi apenas o blazer e lembrei o quão caro era o uniforme completo que incluía o sapato social , tive que conseguir um emprego para pagar. Contudo, perdi alguns dias de aula, mas finalmente comprei e agora poderei ir. Nada melhor que uma calça jeans e um par de tênis com uns furos para dar um certo charme.  E deslizei pela escada até a cozinha.
 A cozinha é pequena, minha mãe estava tomando café, peguei o pão que estava na mesa e passei manteiga seguido de uma grande mordida.
- Vai se atrasar para seu primeiro dia de aula e você sabe como o colégio é rígido quando o assunto é pontualidade.  Virei o rosto devagar com o objetivo de olhar o relógio na parede e dei um pulo da cadeira.
- Puta merda-  Falei.
- Olha a boca, menino!
- Desculpa mãe. A senhora quer mesmo que eu vá? eu posso arrumar um emprego e cuidar de você!
enquanto pegava sua mão.
- Jamais diga uma coisa dessa, rapaz- Disse ela com uma expressão furiosa. Quero que o meu único filho tenha um futuro e seja feliz.
- Tudo bem. -falei
Subi até o quarto com o intuito de pegar a mochila, desci correndo até a cozinha, beije-a,quando coloquei o pé fora da casa, parei me lembrando de algo, voltei à cozinha e disse:
- Não esqueça de tomar seu remédio
ela fez o gesto de legal com a mão, foi quando dei um sorriso respondendo de volta o sinal  e rimos. Saí de casa com os olhos lacrimejados. Foi a primeira vez depois de muito tempo que ela sorriu pra mim, desde que ela descobriu que tinha câncer terminal.
 Olhei para o lado e lá estava o meu meio de transporte, uma bicicleta Monark.  Por um momento exitei, mas senti alguém olhando para mim e automaticamente olhei para janela de casa e lá estava ela, com um enorme sorriso enquanto lágrimas escorriam de seus olhos. Era de orgulho. Assenti com a cabeça e comecei a pedalar, pronto para enfrentar mais obstáculos e com coragem. 

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